Superfícies Inanimadas Podem Ser Fontes de Contaminação Estafilocócica em UTI?

  • Fernanda de Barros Silveira Universidade de Santa Cruz do Sul, Departamento Ciências da Vida. RS, Brasil.
  • Nayanna Dias Bierhals Universidade de Santa Cruz do Sul, Departamento Ciências da Vida. RS, Brasil.
  • Silvio Augusto Ortolan Hospital Santa Cruz, Programa de Residência Multiprofissional em Saúde - Intensivismo, Urgência e Emergência. RS, Brasil.
  • Betina BRIXNER Universidade de Santa Cruz do Sul, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Promoção da Saúde. RS, Brasil.
  • Jane Dagmar Pollo Renner Universidade de Santa Cruz do Sul, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Promoção da Saúde. RS, Brasil.

Resumo

A unidade de terapia intensiva (UTI) é um ambiente hospitalar propício para disseminação de patógenos multirresistentes. As superfícies inanimadas e instrumentos próximos aos pacientes, principalmente aqueles que entram em contato com a pele e a mucosa, devem ser consideradas fontes de contaminação. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo identificar a presença de Staphylococcus spp. em uma UTI adulto de um hospital localizado no interior do Rio Grande do Sul (RS). Realizou-se um estudo transversal em abril de 2017, onde foram coletadas 22 amostras de 13 superfícies/equipamentos de manipulação rotineira (telefone, pia e bancada de preparo de medicações, monitores, teclados de computadores, torneiras dos funcionários e familiares, suporte do clorexidine, painel e pinça do aparelho de hemodiálise, mesas, estetoscópios e bombas de infusão, bem como no espaço entre as mesmas) na UTI adulto. Foram realizadas a coloração de Gram e as provas de catalase, coagulase e Dnase para identificação de gênero e espécie. O antibiograma foi realizado pelo teste de difusão em disco e a resistência à meticilina em ágar cromogênico MRSA. Foram isolados microrganismos em 19 superfícies inanimadas e equipamentos. O Staphylococcus coagulase negativa (SCN) (36,84%) foi o patógeno mais identificado nestas superfícies, seguido de Staphylococcus aureus (31,57%). Os SCN foram 71,4% resistentes à penicilina, 85,7% à eritromicina e 57,1% à clindamicina. Dos S. aureus isolados, 83,3% foram resistentes à penicilina, 50,0% à meticilina, 66,7% à eritromicina e 50,0% à clindamicina. Conclui-se que as superfícies inanimadas podem ser consideradas fontes de contaminação. Os resultados demonstram uma alta prevalência de contaminação ambiental por SCN e S. aureus, com cepas multirresistentes.

 

Palavras-chave: Infecção Hospitalar. Unidade de Terapia Intensiva. Contaminação. Contaminação de Equipamentos. Resistência Microbiana a Antibióticos.

 

Abstract

The intensive care unit (ICU) is a favorable hospital environment for the dissemination of multidrug-resistant pathogens. Inanimate surfaces and instruments close to patients, especially those that come into contact with the skin and mucosa, should be considered sources of contamination. In this context, the study aimed to identify the presence of Staphylococcus spp. in an adult ICU of a hospital located in the interior of Rio Grande do Sul (RS). A cross-sectional study was carried out in April 2017, where 22 samples were collected from 13 surfaces / routine handling equipment (telephone, sink and medication preparation bench, monitors, computer keyboards, taps for employees and family members, chlorhexidine support, panel and forceps of the hemodialysis device, tables, stethoscopes and infusion pumps, as well as in the space between them) in the adult ICU. Gram stain and catalase, coagulase and DNase tests were performed to identify genus and species. The antibiogram was performed using the disk diffusion test and methicillin resistance on MRSA chromogenic agar. Microorganisms were isolated on 19 inanimate surfaces and equipment. Coagulase negative Staphylococcus (CNS) (36.84%) was the pathogen most identified on these surfaces, followed by Staphylococcus aureus (31.57%). The CNS were 71.4% resistant to penicillin, 85.7% to erythromycin and 57.1% to clindamycin. Of the isolated S. aureus, 83.3% were resistant to penicillin, 50.0% to methicillin, 66.7% to erythromycin and 50.0% to clindamycin. It is concluded that inanimate surfaces can be considered sources of contamination. The results demonstrate a high prevalence of environmental contamination by CNS and S. aureus, with multi-resistant strains.

 

Keywords: Cross Infection. Intensive Care Units. Contamination. Equipment Contamination. Drug Resistance.

 

Publicado
2020-12-02
Seção
Artigos