Dor em crianças com deficiências cognitivas: uma revisão sobre os instrumentos de avaliação comportamentais

  • Paulo Henrique D'Alpino UNIAN-SP
  • Andressa Veruska Robes Universidade Anhanguera de São Paulo

Resumo

Resumo
Crianças com deficiências cognitivas correm maior risco de sentir dor. Além disso, demonstrou-se que essa população pediátrica, frequentemente, recebe tratamento inadequado da dor. A dor é, muitas vezes, muito difícil de avaliar, especialmente, em um subgrupo definido com deficiência intelectual, não verbal ou ainda com deficiência cognitiva grave. Embora o autorrelato seja uma alternativa para um pequeno número de crianças com menor acometimento intelectual, as medidas observacionais têm as evidências mais consistentes para apoiar seu uso de escalas comportamentais. Consequentemente, várias ferramentas observacionais de avaliação da dor foram propostas para superar esse problema. Em função da ausência de uma ferramenta de avaliação ideal, a avaliação precisa da dor requer, após uma análise caso a caso, a seleção de um instrumento mais apropriado ou uma associação de instrumentos. O objetivo deste trabalho é fornecer uma revisão dos instrumentos e escalas de avaliação da dor comumente usadas em crianças com deficiência cognitiva. Espera-se que com a discussão crítica dos recursos próprios de cada escala, bem como de sua aplicabilidade clínica esses possam, de certa forma, ajudar a superar esse difícil desafio.

Palavras-chave: Disfunção Cognitiva. Cuidado da Criança. Transtornos Reativos da Criança. Crianças com Deficiência. Transtornos do Neurodesenvolvimento.

Abstract
Children with cognitive disabilities are at increased risk of experiencing pain. In addition, it has been shown that this pediatric population often receives inadequate pain management. Pain is often very difficult to assess, especially in a defined subgroup with intellectual, non-verbal or even severe cognitive impairment. Although self-report is an alternative for a small number of children with less intellectual impairment, observational measures have the most consistent evidence to support their use of behavioral scales. Consequently, several observational pain assessment tools have been proposed to overcome this problem. Due to the absence of an ideal assessment tool, accurate pain assessment requires, after a case-by-case analysis, the selection of a more appropriate instrument or an association of instruments. The aim of this paper is to provide a review of the pain assessment instruments and scales commonly used in children with cognitive disabilities. It is hoped that with a critical discussion of each scale's own resources as well as its clinical applicability, they can somehow help to overcome this difficult challenge.

Keywords: Cognitive Dysfunction. Child Care. Child Reactive Disorders. Disabled Children. Neurodevelopmental Disorders.

Publicado
2020-12-17
Seção
Artigos