I Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática : Uma Classificação

  • Liliane Xavier Neves Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática. SP, Brasil. Universidade Estadual de Santa Cruz. BA, Brasil.
  • William Henrique Maximiano da Silva Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. SP, Brasil.
  • Marcelo de Carvalho Borba Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática. SP, Brasil.
  • Beatriz Naitzki Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Curso de Pedagogia, SP, Brasil.

Resumo

Neste artigo será discutido o processo de classificação dos vídeos participantes da primeira edição do Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática visando a análise das tendências que giram em torno das produções submetidas ao evento. O I Festival foi criado como uma ação do projeto “Vídeos Digitais na licenciatura em Matemática a Distância” com o intuito de promover a produção colaborativa de vídeos, por professores e estudantes, que expressam ideias matemáticas, além de estabelecer um lócus para a interação entre estudantes do Ensino Superior e da Educação Básica. Em sua primeira edição foram submetidos 121 vídeos ao Festival. A abordagem metodológica adotada foi qualitativa, considerando o caráter descritivo da pesquisa, o interesse particular no processo, além da realização de uma análise indutiva dos dados. A classificação dos vídeos foi realizada a partir de sua observação repetitiva, precedida da descrição de eventos críticos, estes últimos relacionados aos recursos utilizados pelos estudantes para transmitir a mensagem mediante a produção de significados. Tais recursos são definidos como modos na Semiótica Social, abordagem teórica que fundamenta este estudo. A codificação emergente resultou em quatro grupos, nos quais os 121 vídeos estão inseridos, intitulados Vídeo narrativa, Videoaula, Vídeo artístico e Vlog. A organização dos vídeos em grupos fornece subsídios para uma discussão sobre as principais tendências do I Festival traçando interesses dos estudantes com relação às metodologias utilizadas para trabalhar conceitos matemáticos. Além disso, os resultados levam a uma discussão sobre a visão que os estudantes têm da Matemática.

 

Palavras-chave: Multimodalidade. Semiótica Social. Tecnologias Digitais.

 

Abstract

In this article will be discussed the classification process of the videos participating in the first edition of the Festival of Digital Videos and Mathematics Education aiming to analyze the trends that revolve around of these productions. O I Festival was created as an action of the project “Digital videos in distance learning Mathematics” with the intention of promoting the collaborative production of videos by teachers and students, who express mathematical ideas, as well as establishing a locus for interaction between students of all levels of education. In its first edition were submitted 121 videos to the Festival. The methodological approach adopted was qualitative, considering the descriptive character of the research, the interest in the process, besides the accomplishment of an inductive analysis of the data. The classification of the videos was made from their repetitive observation preceded by the description of critical events, the latter related to the resources used by the students to transmit the message through the production of meanings. These resources are defined as Modes in Social Semiotics, the theoretical approach that underlies this study. The emerging coding resulted in four groups in which the videos are inserted, titled Narrative Video, Video lessons, Artistic Video and Vlog. The organization of the videos provides subsidies for a discussion about the main trends of the I Festival by tracing students’ interests in relation to the methodologies used to work on mathematical concepts. In addition, the results lead to a discussion about the students' view of Mathematics.

 

Keywords: Multimodality. Social Semiotics. Digital Technologies.

 

Biografia do Autor

Liliane Xavier Neves, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática. SP, Brasil. Universidade Estadual de Santa Cruz. BA, Brasil.

Estou vinculada à área de Matemática no Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas - DCET. Tenho Mestrado em Matemática pela UFPB com ênfase em Geometria Diferencial e estou cocluirei o doutorado em Educação Matemática em 2019 com ênfase em Tecnologias no ensino de Matemática pela UNESP - Rio Claro.

Marcelo de Carvalho Borba, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática. SP, Brasil.

Departamento de Educação Matemática

Beatriz Naitzki, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Curso de Pedagogia, SP, Brasil.

Departamento de Educação

Referências

Bezemer, J. & Kress, G. (2016). Multimodality, Learning and Communication: a social frame. London: Routledge.

Borba, M. C., Almeida, H. R. F. L. & Gracias, T. A. S. (2018). Pesquisa em ensino e sala de aula: diferentes vozes em uma investigação. Belo Horizonte: Autêntica editora.

Borba, M. C. & Araújo, J. L. (Org.). (2013). Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica editora.

Borba, M. C. & Confrey, J. A. (1996). Student’s construction of transformations of functions in a multiple representational environment. Educational Studies in Mathematics, 31, 319 – 337. DOI: https://doi.org/10.1007/BF00376325.

Borba, M. C., Neves, L. X. & Domingues, N. S. (2018). A atuação docente na quarta fase das tecnologias digitais: produção de vídeos como ação colaborativa nas aulas de matemática. EM TEIA - Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana, 9, 1 - 24.

Borba, M. C., Scucuglia, R. R. S. & Gadanidis, G. (2018). Fases das Tecnologias Digitais em Educação Matemática: sala de aula e internet em movimento. Belo Horizonte: Autêntica editora.

Borba, M. C. & Villarreal, M. E. (2005). Humans-With-Media and the Reorganization of Mathematical Thinking: information and communication technologies, modeling, experimentation and visualization. New York: Springer.

D'Ambrósio, U. & Borba, M. C. (2014). Dynamics of change of mathematics education in Brazil and a scenario of current research. ZDM (Berlin. Print), 42, 271-279. DOI: https://doi.org/10.1007/s11858-010-0261-x.

Domingues, N. S. (2014). O papel do vídeo nas aulas multimodais de Matemática Aplicada: uma análise do ponto de vista dos alunos. (Dissertação de Mestrado em Educação Matemática – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro).

Domingues, N. S. & Borba, M. C. (2013). Compreendendo o I Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática. Revista de Educação Matemática, 15, 47 – 68. DOI: https://doi.org/10.25090/remat25269062v15n182018p47a68.

Fiorentini, D. (2013). Pesquisar práticas colaborativas ou pesquisar colaborativamente? In: Borba, M. C. & Araújo, J. L. Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática (pp. 53–85). Belo Horizonte: Autêntica editora.

Fontes, Bárbara Cunha. (2019). Vídeo, comunicação e Educação Matemática: um olhar para a produção dos licenciandos em Matemática da Educação a distância. (Dissertação de Mestrado em Educação Matemática –Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro).

Jewitt, C., Bezemer, J. & O’Halloran, K. (2016). Introducing Multimodality. New York. Routledge.

Kaput, J. J. (1989) Linking representations in the symbol system of Algebra. In: Kieran, C. & Wagner, S. A research agenda for the teaching and learning of Algebra (pp. 167 – 194). Reston, Va.: National Council of Teachers of Mathematics; Hillsdale, N. J.: Lawrence Erlbaum Associates.

Kress, G. (2011). What is mode? In: Jewitt, C. (Org.). The Routledge Handbook of Multimodal Analysis (pp. 54 – 67). London: Routledge.

Kress, G. & Van Leeuwen, T. (2006). Reading Images: the grammar of visual design. London: Taylor & Francis e-library.

Laburú, C.E., Barros, M.A. & Silva, O.H.M. (2011). Multimodos e múltiplas representações, aprendizagem significativa e subjetividade: três referências conciliáveis da educação científica. Revista Ciência e Educação, 17(2), 469-487. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-73132011000200014.

Lemke, J. L. (2010). Letramento metamidiático: transformando significados e mídias. Trabalhos em Linguística Aplicada, 49(2), 455 - 479. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-18132010000200009.

Neves, L. X. & Borba, M. C. (2018). Multiple representations in the study of analytical geometry: video production in a distance online pre-service teacher education program In: Proceedings of the 11th Southern Hemisphere Conference on the Teaching and Learning of Undergraduate Mathematics and Statistics (pp. 83 - 95). Lajeado - RS: Editora Univates.

Neves, L. X., Borba, M. C. & Lacerda, H. D. G. E. (2018) . Learning Mathematics with Videos. In: Proceedings of the Second International Conference on Mathematics Textbook Research and Development (pp. 362 - 372). Rio de Janeiro: Instituto de Matemática da Universidade do Rio de Janeiro.

Oechsler, V. (2018). Comunicação Multimodal: produção de vídeos em aulas de Matemática. (Tese de Doutorado em Educação Matemática – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro).

Oechsler, V., Fontes, B. C. & Borba, M. C. (2017). Etapas da produção de vídeos por alunos da educação básica: uma experiência na aula de matemática. Revista Brasileira de Educação Básica, 2(1), 71–80. Disponível em < http://pensaraeducacao.com.br/rbeducacaobasica/wp-content/uploads/sites/5/2019/03/10-Vanessa-Oechsler-Etapas-da-produção-de-vídeos-por-alunos-da-educação-básica.pdf>

O’Halloran, K. L. (2015). The language of learning Mathematics: a multimodal perspective. The Jornal of Mathematical Behavior. Elsevier. 40, 63 – 74. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jmathb.2014.09.002.

Powell, A. B., Francisco, J. M. & Maher, C.A. (2004). Uma abordagem à Análise de dados de vídeo para investigar o desenvolvimento de Idéias e Raciocínios Matemáticos de Estudantes. Bolema, nº21, Ano 17, p. 81-140, UNESP, Rio Claro. Disponível em < https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/bolema/article/view/10538 >

Silva, W., Neves, L. X. & Borba, M. C. (2018). Elaboração de uma taxionomia para vídeos produzidos por estudantes de ensino básico. In: Anais do CIET: EnPED 2018. São Carlos: EdUSFCAR. 2018. 1-7. ISSN 2316-8722. Disponível em: <http://cietenped.ufscar.br/submissao/index.php/2018/article/view/206>. Acesso em: 24 jul. 2018.

Santaella, L. (2012). O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense.

Van Leeuwan. T. (2005). Introducing Social Semiotics. New York: Taylor & Francis e-Library.

Villarreal, M. & Borba, M. C. (2010). Collectives of Humans-with-media in mathematics education: notebooks, blackboards. calculators, computers...and notebooks throughout 100 years of ICMI. ZDM (Berlin. Print), 42, 49-62. DOI: https://doi.org/10.1007/s11858-009-0207-3.

Publicado
2020-06-22
Seção
Artigos