'Andrea, ma così chi ti legge?': a linguagem de Camilleri e suas (im)possíveis traduções

  • Solange Peixe Pinheiro de Carvalho

Resumo

A pergunta citada no título deste trabalho indica o espanto de Leonardo Sciascia ao ler a primeira obra de Camilleri, Un filo di fumo, na qual já aparece a lingua mista (Sofri, 2000) que passaria a ser, no mundo todo, a “marca registrada” do autor siciliano. Característica que remete à diversidade linguística e cultural italiana, com a convivência de línguas regionais com o italiano standard, ela suscita outra pergunta: o que foge da norma é (in)traduzível? Quais estratégias usar para transmitir aos leitores estrangeiros o italiano “sicilianizado” do escritor? Considerando, entre outros, os estudos de Chapdelaine (1994); Lane-Mercier (1997) e Morvan (1994), voltados para a tradução de variantes não padrão, observamos que esses textos não permitem uma teoria globalizante do assunto: cada caso precisa de uma abordagem única; na obra de Camilleri, esse fundamento é dado pela união de estudos da tradução com os estilísticos e literários. Partindo desse embasamento teórico, analisaremos algumas estratégias de tradução das obras de Camilleri em português e em outras línguas, para verificar até que ponto é (im)possível mostrar para leitores estrangeiros a “marca registrada” do autor.
Publicado
2015-07-07
Seção
Artigos