Cartas para Julieta: intertexto e suplemento

  • Elizabeth Ramos

Resumo

Em 2006, Lise e Ceil Friedman publicaram, nos Estados Unidos, o livro Cartas para Julieta, homenageando a heroína de Shakespeare, a cidade mágica de Verona e reverenciando o poder do amor. O livro, um  sofisticado e ampliado guia turístico, resulta da pesquisa feita pelas autoras, quando de sua primeira visita à cidade italiana, que leva milhões de curiosos a visitar os espaços um dia ‘percorridos’ pelo par romântico, Romeu e Julieta. Na ocasião, as pesquisadoras observaram que, diariamente, cartas quase sempre endereçadas simplesmente para “Julieta, Verona”, chegavam à cidade. Eram milhares delas, nas mais diversas línguas, escritas por românticos em busca dos conselhos do mito símbolo do amor romântico, aquele cuja plena satisfação é negada aos amantes em vida, e realizado na morte. Surpreendentemente, a grande maioria das mensagens obtem resposta, segundo constatação das visitantes. Em 2010, é lançado o filme Cartas para Julieta (Letters to Juliet), dirigido por Gary Winick, com roteiro de Jose Rivera e Tim Sullivan. Embora a obra cinematográfica não constitua o que tradicionalmente se considera uma tradução intersemiótica, suscita reflexões quanto aos limites de sua inserção no âmbito dos Estudos da Tradução, uma vez que estabelece com o livro de Lise e Ceil Friedman uma relação de suplemento, e remete o espectador ao texto dramático de William Shakespeare, através de uma interessante rede transtextual.
Publicado
2015-07-09
Seção
Artigos