Sobre tradução feminista (ou de gênero?) no Brasil: algumas considerações

  • Ana Maria de Moura Schäffer

Resumo

O entrelaçamento entre gênero e tradução foi alvo de uma pesquisa baseada em corpus da qual este artigo é um recorte. Tomando por base os aportes teóricos da Análise do Discurso e da Desconstrução objetivou-se investigar a presença de tradução de gênero no contexto brasileiro, a partir de recortes discursivos de tradutoras brasileiras a algumas perguntas enviadas por e-mail para duas listas de tradução que circulam no Brasil. O pressuposto teórico fundamentou-se na prática já existente de uma tradução preocupada com o gênero no contexto da tradução bíblica e também no ambiente quebeco-canadense, local em que desde a década de 1970 a relação gênero/tradução vem sendo praticada, discutida e problematizada. Tentou-se identificar na materialidade linguística e nas formações inconscientes que irrompem dessa materialidade indícios da constituição do imaginário dessas tradutoras sobre o que seja tradução de gênero. As representações de tradução que emergiram da fala das tradutoras apontam, no geral, para os sentidos das lutas sociais vinculadas aos movimentos feministas. De modo específico, tais  representações são imaginarizadas como expressão de criatividade e autoria, mesclando-se para instituir momentos de identificação aliados à singularidade das tradutoras. Assim, apreende-se que há vestígios de tradução de gênero no dizer sobre tradução, como também emergem desse dizer efeitos de sentido que apontam para uma constituição identitária das tradutoras já inseridas no contexto de um emprego de uma linguagem mais inclusiva de gênero nas traduções por elas praticadas, contribuindo para a construção da igualdade de gênero pela prática de tradução.
Publicado
2015-07-09
Seção
Artigos